Doppia-piega (2013)

Corpo humano/veste dobrada: sutis tecidos, pele e algodão; riscos-feridas-cabelos; sombras. O que se passa pelo contato? Relevos altos da trama do tecido que encostam no verniz e o ferem, encostando no metal liso ali por baixo, cedendo à transferência da imagem do material ali prensado. Primeira dobra. Então, a gravação, o trabalho sobre a chapa: finalização. Depois, a impressão: nova transferência, segunda dobra.

A dobra: o contato de um material com o outro, a transferência da imagem: tecido/chapa sensibilizada; chapa entintada/papel de algodão. Dobrar é encostar, variar posições, fazer encontrar. De fato, no encontro emerge o invisível. A dobra é aqui a própria transmissão, inapreensível, vista apenas pelo seu efeito: a marca, o efeito que gera.

[gravura em metal (verniz-mole, água-forte, água-tinta e ponta-seca), 18x24 cm e 24x18 cm. Exposto em "Dupla-dobra" (2015, Memorial Minas Gerais Vale, Belo Horizonte, Brasil) e "Publicação Expedição Fazendinha" (2014, ESPAI, Belo Horizonte, Brasil)]