Effigies/Figura/Fingere/Effingere

A performance foi, mesmo, isso: por escrito em giz, designar a cada uma das oito colunas uma das oito virtudes expostas em fotografia nas salas da galeria (trabalho “Virtù”); retirar o vestido exposto na parede e estendê-lo no chão; descascar o gesso instalado na parede para soterrar os escritos (as virtudes morais). Ao fim: ela, que já era pó, a “nova arquitetura” ali edificada foi levada ao pó junto com as virtudes – escancarado o seu estado de arquitetura frágil e fictícia. Nada mais nas paredes, nada mais verticalizado, salvo uma coluna, na qual se podia ler em sua base “Effigies Figura Fingere Effingere”. O pó em suspensão aos poucos se decantava. Sem que houvesse nenhum intuito moralista, mas justamente isso: soterrar qualquer moralidade, instaurar naquele espaço uma ética da vontade potente, que convidasse os corpos a problematizar as dicotomias.

[performance, 40'. Encerramento da exposição “Nuova Architettura” (Centro Cultural da UFMG, 2014, Belo Horizonte, Brasil)]

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