Dupla-dobra (2015)

Alguns sacos a vácuo, cinquenta metros de tule branco, um aspirador de pó. A performance: estava lá, vestida com minha roupa normal, para a vernissage da exposição. O espaço estava montado com os trabalhos escolhidos e com grandes faixas de tule branco espalhadas pelo chão cinza, que atrapalhavam o público a ver as obras localizadas nas paredes. O aspirador de pó, preto, ao canto. Em um dado momento, retiro meus sapatos, retiro minha camisa: por debaixo portava minha roupa de trabalho em ateliê. Então, vestida com minha regata branca - agora já bem corroída pelo percloreto de ferro, pelas tintas gordurosas e emulsões, bem manchada e rasgada - comecei a ação: dobrar as faixas de tecido que estavam espalhadas pelo espaço. Manipulá-las no espaço até conseguir reduzir o volume ocupado por elas e então colocar uma a uma dentro de um saco de plástico transparente. Os sacos, cheios de ar, cheios de ar, e cheios de volume de dobras de tecido, espalhados pelo ambiente. Segunda parte: asfixiar as dobras, deixar os sacos vazios de ar e vazios de volume, planificar as dobras, que ficaram então retorcidas. Um a um, foram sendo aspirados pelo eletrodoméstico. Ao fim: cada um dos sacos foi pregado à parede, formando uma faixa, um conjunto de todos os oito sacos, que ia do chão ao teto. Pela asfixia, as dobras ficam rígidas, como que petrificadas, pedras brutas, in natura.

[performance/instalação, 20'/100x80cm e 60x50cm, medidas totais 350x167cm. Abertura da exposição "Dupla-dobra" (Memorial Minas Gerais Vale, 2015, Belo Horizonte, Brasil)]

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