Mil-dobras (2015)

Vestir vinte e uma peças de roupa, uma sobre a outra, até uma quase imobilização do corpo. Forrar o chão com colchas de piquê. Olhando para o primeiro espelho instalado na sala, ler o trecho de um texto. Então, começar a retirar as peças de roupa, uma a uma, usando como único recurso de visão um tablet que apontava para outro espelho instalado na sala – haviam três. A cada peça de roupa, me aproximo mais do espelho. Ao fim desse percurso, um segundo texto foi lido em voz alta. Depois, pegar três sacos a vácuo, dos que estavam na parede desde a performance "Dupla-dobra", na abertura da exposição, abri-los, retirar lá de dentro o tule asfixiado, movimentá-lo no espaço e com ele envolver as vestimentas deixadas ao chão. Três agrupamentos por cores: os azuis, os rosas e o vermelho/branco/preto. Cada grupo em um saco, envolvido pelo tule, e novamente asfixiado pelo aspirador de pó. Muito volume de pano prensado pelo ar, muitas dobras comprimidas, se assemelhando a órgãos do corpo humano. Os sacos foram recolocados na parede, agora bastante pesados.

[performance/instalação, 40'/100x80cm e 60x50cm, medidas totais 350x167cm. Encerramento da exposição "Dupla-dobra" (Memorial Minas Gerais Vale, 2015, Belo Horizonte, Brasil)]

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